O que é o sexo tântrico?

Sexo Tântrico é sempre um tema perguntado e reperguntado aqui na Casa milhões de vezes. Dessa vez resolvi fazer um vídeo bem detalhadinho explicando como esse conceito foi criado, o que ele significa e como andam transformando (ou deturpando) esse conceito.

Mais do que sagrado, o sexo tântrico é um sexo inteligente, sábio, calmo, relaxado, em paz, com troca, com presença, com atenção, com respirações longas e a fusão da energia de duas pessoas em uma coisa só. Assista o vídeo, vai ser bem esclarecedor!

Aproveito e também deixo aqui abaixo um trecho de um texto que escrevi para a Rede Metamorfose sobre o tema.

Mitos sobre o sexo tântrico

“Sexo Tântrico tem que demorar horas.”
Essa é uma das concepções mais equivocadas que se tem a respeito da prática do Maithuna. Não há nenhuma implicação dessa maneira dentro do Tantra, simplesmente pelo fato de que não existem metas nem objetivos senão a experiência sensorial de perceber a si e ao outro. A prática de sexo tântrico é feita sem afobação, sem pressa, sem a meta do orgasmo. E nada disso quer dizer que ela precisa durar horas para se qualificar de maneira nenhuma. A experiência dura o quanto deve durar, de acordo com a vivência e a proposta das pessoas que mergulharam dentro dela. Uma prática não é melhor ou pior do que a outra porque demorou menos ou mais. Precisamos entender isso do ponto de vista de um caminho espiritual, sem moralismos. O Tantra acredita que, para conseguirmos pescar no astral a alma de um Buda ou de um ser que possa chegar nesse plano com um grande potencial para a iluminação, precisamos de uma concepção com bastante energia para que essa alma seja trazida para um corpo físico nesse planeta. Por isso a experiência, quando tem essa finalidade, é uma experiência que precisa especialmente de mais tempo, de mais estímulos e de mais energia sendo trabalhada na prática. Nada disso quer dizer que um sexo rápido no banco de trás de um carro estacionado na rua seja mais ou menos sagrada do que uma prática de Maithuna. O Tantra nunca fez esse tipo de julgamento, ele apenas procura uma maneira mais inteligente de utilizar essa energia, seja qual for o seu fundamento.

“No Sexo Tântrico não pode ejacular.”
Esse mito segue de mãos dadas com o primeiro. Ele traz uma noção de performance que não tem absolutamente nada de Tantra. Em alguns rituais específicos de Tantra, o sêmen, assim como a saliva, o sangue menstrual e outras substâncias era utilizadas como instrumento dos rituais. Muito nesse caso se confunde com algumas ideias Taoístas – que usam o sexo não como instrumento de transcendência, mas como uma fonte de energia para termos mais vitalidade – que sugerem uma restrição da ejaculação de acordo com a idade do homem para que ele possa manter uma vida mais saudável. O Tantra não, nunca mencionou sequer uma linha de seus textos a respeito de ejacular ou não ejacular. Ele diz sim, que a experiência sexual começa quando pensamos na nossa parceira ou parceiro, quando tocamos, quando cheiramos, quando percebemos o outro com todos os nossos sentidos. O Tantra tira o foco da ejaculação e da penetração fazendo com que possamos nos sentir em vários outros aspectos que, por conta das nossas neuroses, acabam sendo desconectados da nossa sexualidade no mundo de hoje.

“Sexo Tântrico e Kama Sutra são a mesma coisa.”
Nada poderia ser mais diferente. O Kama Sutra é um manual de etiqueta sexual que vai além de meras posições para penetração. É um texto extremamente machista que ensinava homens como dominar e subjugar mulheres para obter a sua própria satisfação. O Tantra nunca apresentou um manual sobre sexo, nunca sugeriu posições ou condutas para controlar o corpo ou a mente das pessoas que participam de suas práticas. Muito pelo contrário, a maioria dos textos tântricos exalta o papel da mulher e a coloca numa posição de sacralidade e respeito. O Tantra reconhece que a mulher tem uma força sexual muito maior que a do homem e procura utilizar essa inteligência do corpo feminino, novamente, como instrumento de meditação.