O que é Tantra?

Tantra é um estilo de vida, uma filosofia prática, uma maneira de sentir o corpo, um conjunto de iniciativas que nos colocam em contato com quem realmente somos,no mais profundo do nosso ser, longe das questões morais, ideais, hipócritas e punitivas que se instalam na superfície do nosso ego e nos tiram do caminho da felicidade e do amor.

Tantra possui literalmente vários significados. A própria tradução da palavra já varia bastante, dado o idioma em que foi cunhada. Sânscrito é uma linguagem bem poética, na qual o mesmo vernáculo pode ter várias interpretações de acordo com o contexto.

O Tantra é uma sabedoria a respeito de como a nossa consciência se manifesta nesse mundo, nesse plano, nesse corpo. É uma sabedoria que nasceu muito antes dos registros escritos, que viveu por um bom tempo sendo passada de boca a ouvido, de mestre a discípulo. Seus praticantes foram perseguidos em vários lugares e épocas, dada a associação que suas práticas tinham com rituais de magia.

A história do Tantra tem várias versões. Uns dizem que possui 2000 anos, outros 5000 e alguns chegam a mencionar 8000 anos. Vários estudiosos e historiadores pesquisaram sobre o tema e não conseguem trazer um marco inicial, um ponto de partida, pois muito embora os textos tântrico sejam fáceis de datar e rotular, suas práticas e já vinham sendo desenvolvidas muito antes de serem registradas.

O Tantra é uma ciência do corpo

Mas não vamos aqui perder muito tempo com a história do Tantra. Vamos olhar para o que o Tantra se tornou hoje em dia na nossa sociedade extremamente doente. Ele é um dos poucos caminhos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que inclui o corpo; conhecer as sensações do corpo, as emoções que permeiam a bioquímica que circula no organismo, a tensão crônica que a rotina do dia a dia traz para o nosso sistema, todos esses aspectos, para o Tantra, escondem informações preciosas a respeito de quem somos, de como nos comportamos, como vivemos as nossas relações. O corpo registra tudo o que acontece e, mais do que isso, se adapta. Pouco a pouco nosso organismo cria uma determinada anatomia emocional que se molda melhor às suas emoções, sensações e comportamento, da mesma forma que reforça todos os padrões que ja foram vividos.

As práticas do Tantra são meditações que levam nossa consciência para sentir o nosso corpo de maneiras diferentes. Brincamos com algumas ferramentas corporais para expandir a nossa consciência e nos sintonizarmos com aquilo que precede os pensamentos, que é anterior a toda essa transformação que o corpo sofre por conta dos estímulos que chegam de fora pra dentro.

Quem você seria se não precisasse ser a mãe, o pai, o chefe, o vizinho, o funcionário, a esposa, o marido provedor? Se você se despisse de todos os papeis que se vê obrigado a cumprir por conta das suas relações, do pequeno universo que você criou a sua volta, o que sobraria? O que fica de você quando retiramos todas essas obrigações, todas essas demandas externas?

O Tantra é uma filosofia prática e comportamental

Fica a sua essência, a voz do seu coração, o mais puro do seu ser. Todos esses papeis são mantidos com força – e um pouco de medo, ansiedade, estresse – pelo nosso Ego. A parcela da nossa mente programada a se ajustar ao meio social. Quanto mais o Ego estiver sendo exigido, trazido à tona, menos sobra espaço para a nossa essência se manifestar. O papel do Ego é visto quase que algo essencial à nossa sobrevivência imediata. Estamos sempre cumprindo metas, articulando situações, nos envolvendo em atividades com as quais não temos nenhuma afinidade por conta de alguma relação de poder. E o Ego é tão poderoso que muitas vezes faz com que façamos isso com um sorriso no rosto, não importa o quão contrariado estejamos.

Buscamos com o Tantra um pouco mais de silêncio na nossa já congestionada mente. Os padrões de pensamento e comportamento que ela cria ao longo da nossa vida são tão fortes que passam a ser executados de maneira inconsciente, automática. Precisamos calar um pouquinho as mil vozes que temos na cabeça para conseguir sintonizar a voz do coração, a nossa sabedoria interna, as vontades, conceitos, ideias e comportamentos que nascem de dentro pra fora, com base na nossa experiência pessoal, intuição, sensibilidade, e até mesmo do nosso discernimento, mas sem deixar que ele próprio seja influenciado por traumas, neuroses ou qualquer outra armadilha do nosso ego.

Essa inteligência é extremamente naturalista. O Tantra se basta na existência como ela é. As explicações que as pessoas procuram ao longo da vida, para o Tantra estão todas na natureza. Não precisamos buscar fenômenos em outros planos para compreender o que acontece conosco aqui. Ao mesmo tempo que o Tantra é integrativo e pode receber pessoas adeptas a qualquer sistema de crenças, sem nenhum tipo de confronto.

O que o Tantra faz?

O Tantra desprograma os códigos do corpo. Ele reinicia a máquina orgânica trazendo o livre arbítrio para a superfície. Ele nos ajuda a percerber o quanto temos agido de maneira reativa e inconsciente e faz com que retomemos as rédeas da nossa vida.

Muitas vezes passamos longos períodos da nossa vida repetindo que somos dessa ou daquela maneira, reforçando os padrões que aprendemos a viver.

A experiência do Tantra expande a nossa percepção a respeito de quem somos e de como somos. Quando entramos em contato com a sabedoria do nosso corpo, com a nossa anatomia emocional, descobrimos que existe um potencial enorme de cura e transformação, mas que se esconde abaixo de camadas e mais camadas de lixo emocional que o nosso ego aprendeu a colecionar ao longo da vida, mas não sabe como jogá-la fora.

Para atingir o máximo da sua eficácia, o Tantra utiliza diversas ferramentas acessíveis ao corpo – movimento, respiração, som, os diversos sentidos, a presença do outro – para criar a experiência de expansão da consciência, ou o estado de Samadhi, como dito em Sânscrito, um estado alterado de percepção no qual tempo e espaço se misturam, o inconsciente parece vir à superfície e toda a auto-observação se transforma.

Sempre que conseguimos uma vivência intensa e siginificativa dentro de qualquer processo terapêutico com o Tantra, notamos a presença de 3 fatores fundamentais:

  1. Bioenergia – energia é vitalidade. Quanto mais energia colocamos pra dentro do corpo na meditação tântrica, mais vitalidade, mais intensidade, mais sensibilidade estamos trazendo para a prática. A energia é o combustível da meditação no Tantra. Ela é a grande responsável por transformar a nossa anatomia e propiciar a limpeza interna necessária. Com o corpo carregado eletricamente, precisamos estar com bastante foco no segundo fator;
  2. Presença – quanto mais ancorados ficarmos em nossos corpos, mais estaremos no momento presente. As sensações do corpo acontecem aqui-agora; somente os delírios da mente que ultrapassam essa fronteira do tempo. Quando estamos sentindo o que acontece no corpo estamos imersos no presente e abrimos uma enorme porta para a experiência meditativa acontecer. Com o corpo carregado de energia e presentes nas sensações que acontecem, finalmente abrimos espaço para o último fator exercer seu papel;
  3. Aceitação – em uma experiência de alta energia e presença nas sensações, acessamos a anatomia emocional, a sabedoria do corpo. As mensagens que podem vir à tona – principalmente no início do processo terapêutico – muitas vezes não são fáceis de serem processadas. Estamos falando aqui dos maiores fantasmas e traumas que o Ego precisou enterrar no subconsciente para se manter relativamente saudável. É muito comum reagirmos com certa resistência quando nos conectamos com esses sintomas. Mas é com a aceitação que conseguimos integrar os efeitos dessas emoções densas e recuperar o equilíbrio energético do corpo. O Tantra ensina que tudo aquilo contra o qual lutamos, apenas aumentamos sua força. É preciso receber todas essas emoções com aceitação e amorosidade, sem esquecer de que cada uma delas é apenas uma fração da nossa individualidade.

O Tantra e a Energia Sexual

A energia sexual, da qual o Tantra fala, é muito mais completa do que se imagina. Não se trata do apetite sexual, mas sim da própria energia criadora da vida, uma energia transformadora e criativa. A essência da própria libido que, muito além das conotações que também recebeu ligadas unicamente ao sexo, significa a energia que o homem tem para fazer alguma coisa. Quando se relaciona, quando se move, quando observa, quando age o homem está sempre empregando energia nas suas atitudes. Energia de base, de sustentação, que é a própria energia sexual, aquela que foi sintetizada no momento da criação de cada indivíduo. E se essa energia é capaz de gerar uma vida nova, será que ela não seria capaz de preencher de vitalidade uma vida que já existe?

Nessa filosofia comportamental, aprendemos a valorizar o poder do feminino, a dissolver preconceitos, a usar os sentidos como forma de construção da nossa realidade. O Tantra é um caminho de desenvolvimento pelo prazer, e não pela repressão. Ele vê o corpo como parte integrante e fundamental do indivíduo – a forma que sua consciência se manifesta fisicamente – e usa os recursos presentes no corpo físico de maneira a interagir com o corpo sutil e levar seus praticantes a estados elevados de percepção e consciência. O foco das práticas tântricas é elevar o nível de energia presente no corpo, proporcionando uma sensação de transcendência e a conexão com o que há de sagrado e divino dentro de cada ser humano.

Existem reações bioquímicas no nosso corpo que produzem descargas elétricas, ou melhor, bioenergia. Isso cria um campo elétrico dentro e fora do nosso corpo físico que costumamos chamar de campo energético. Da mesma forma que é influenciado, esse campo também influencia o nosso corpo de diversas maneiras. As experiências tântricas trabalham nosso organismo de maneira a expandir esse potencial energético, tornando-nos mais consciente de sua presença e de sua interação com o corpo físico. Apesar de suas práticas serem essencialmente sociais – com meditações que envolvem mais de uma pessoa – o Tantra leva o indivíduo para o seu centro, para uma percepção corporal diferenciada.

O Tantra não é ensinado nos livros. Para conhecer o Tantra é preciso vivenciá-lo, senti-lo na pele. E isso, vale dizer novamente, não tem nada a ver com o que se entende por sexo. Vivências e meditações tântricas trabalham a bioeletricidade produzida pelo corpo. E em todo esse potencial energético, existe uma particularidade que se destaca: uma corrente elétrica que parte da base da coluna e segue de maneira ascendente até o topo da cabeça. A chamada Kundaliní.

A Kundaliní é uma energia extremamente intensa, de natureza ígnea, que repousa no 1º grande centro de energia, o Chakra Muladhara. É uma corrente bioelétrica que, quando percebida e ativada, segue do períneo em direção ao topo da cabeça passando por toda a coluna vertebral, ativando os 7 principais Chakras do nosso campo energético. Cada um desses Chakras está conectado a alguma glândula do nosso organismo. Quando a bioeletrecidade entra em contato com um desses centros, as glândulas correspondentes também são estimuladas, produzindo hormônios, agitando os neurotransmissores. E muitos dos hormônios que produzimos – como a Oxitocina, a Dopamina e a Endorfina – estão intrinsecamente ligados ao estado de espírito, ao humor e à sensação de plenitude que costuma se experienciar nas práticas tântricas.

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